Publicada em 08 de Outubro de 2018 ás 10:48:45
Novato, Amoźdo surpreende e vira ativo eleitoral

O empresário João Amoêdo ficou minutos na fila até chegar sua vez de votar, ontem pela manhã em sua zona eleitoral no Rio de Janeiro. Não passou à frente de pessoas comuns como costuma acontecer quando presidenciáveis vão votar. Fechou sua campanha da forma como a conduziu desde o início: tentando se vender como diferente dos políticos “que estão aí”. Estreante na política, desconhecido do eleitorado e único outsider desta corrida presidencial, o candidato do Partido Novo surpreendeu e terminou a eleição entre os cinco candidatos mais votados do primeiro turno. Com discurso liberal, sem usar recursos públicos e apostando na militância online e nas ruas, Amoêdo viu sua candidatura crescer e sai da eleição com mais força do que entrou. Amoêdo não descarta apoio ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, no segundo turno. Só diz que “não há possibilidade de apoiar o PT”. “O PT se mostrou muito desalinhado com os ideais e as práticas do Novo. Vamos ver se existirá apoio ou não a Bolsonaro. Algo muito importante e que sempre destacamos é que nós apoiamos ideias.” Com 99,89% das seções apuradas, Amoêdo tinha 2,5% dos votos, à frente de nomes como Marina Silva (Rede), terceira colocada nos pleitos de 2010 e 2014. Somou mais de 2,6 milhões de votos, superando também Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos), que apareciam tecnicamente empatados com o empresário nas pesquisas de intenção de voto. Amoêdo manteve cerca de 2,5% dos votos durante toda a apuração dos votos, sempre na quinta posição, com 2 a 3 pontos porcentuais atrás de Geraldo Alckmin (PSDB). Para Amoêdo, o resultado “superou todas as nossas expectativas e mostra que dá para fazer uma política diferente no Brasil.” Sua campanha se fortaleceu também com o crescimento da adesão ao partido nos Estados. Em Minas Gerais, Romeu Zema confirmou as pesquisas que apontavam sua tendência de alta e obteve 43% dos votos. Está no 2.º turno na disputa pelo governo estadual. Ele enfrentará Antônio Anastasia (PSDB), que fez 29% (mais informações à pág. A26). Em São Paulo, apesar de ter ficado longe do 2.º turno, Rogério Chequer obteve mais votos que candidatos que participaram de debates televisivos, como Rodrigo Tavares (PRTB) e Professora Lisete (PSOL). Na comparação com a Rede, o outro partido também criado entre as corridas eleitorais de 2014 e 2018, fez mais, já que Marina ficou para trás e o partido não foi ao segundo turno em nenhum Estado. Para Amoêdo, as eleições deste ano, a primeira do partido, fazem o Novo despontar como uma força política no País. “O Novo está apenas começando. Nosso desempenho foi sensacional” disse. “Terminamos essa eleição em 5.º lugar, acima de candidaturas consolidadas e tradicionais, tudo sem usar dinheiro público.”

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