ACM Neto inicia uma das etapas mais sensíveis de sua pré-campanha de 2026: a definição da chapa majoritária. Se por um lado ele está bem atuante em suas redes sociais, por outro sabe que a escolha da vice exige cautela redobrada. Não se trata apenas de um nome simbólico, mas de uma peça decisiva para a estratégia eleitoral e para o equilíbrio entre os partidos que sustentam sua candidatura.
Em 2022, Neto foi duramente criticado ao optar pela empresária Ana Coelho, indicada pelo Republicanos, em detrimento de quadros políticos tradicionais como Zé Ronaldo. A decisão gerou ruídos internos, especialmente porque, em 2018, Zé Ronaldo havia renunciado à prefeitura de Feira de Santana para concorrer ao governo do Estado, a pedido de Neto, após o ex-gestor de Salvador desistir da disputa. À época, o gesto de Ronaldo foi visto como um ato de lealdade e sacrifício político em nome do grupo. Mas a decisão de Neto expôs uma regra silenciosa da política: muitas vezes, quem chega primeiro acreditando no projeto não garante espaço. As negociações de última hora e a necessidade de atrair mais aliados costumam redesenhar o tabuleiro e alterar preferências.
Agora, em 2026, o desafio se repete. Neto terá de agradar os partidos que já estão na base – aqueles que apostaram cedo em sua candidatura – mas também precisará abrir espaço para novas legendas, ampliando o arco de alianças. Esse equilíbrio é delicado: contemplar todos é impossível, mas desagradar demais pode custar caro na campanha.
Dois caminhos se desenham:
• Um empresário ou empresária: sinal de renovação, proximidade com a sociedade civil e discurso de modernidade.
• Um político ou política de carreira: garantia de articulação, experiência e capilaridade no interior.
Além disso, a questão de gênero também está em jogo: será um homem ou uma mulher? Uma mulher na vice pode simbolizar avanço, inclusão e um gesto de renovação. Um homem, por sua vez, pode representar a força de partidos tradicionais e equilibrar alianças regionais.
O cálculo, porém, vai além do perfil. O que está em disputa é quem cede e quem ganha espaço dentro da coalizão. Neto sabe que, para vencer, precisará ampliar sua base, mas sem abrir mão da lealdade de quem esteve ao seu lado desde o início. Essa equação é talvez a mais difícil de resolver.
Assim, a saga de ACM Neto em 2026 não será apenas eleitoral, mas também política no sentido mais profundo: a arte de negociar, somar forças e escolher, com cautela, quem estará ao seu lado na linha de frente.
*Fernanda Dourado é editora-chefe do site Bahia Repórter, consultora e especialista em política, há mais de 20 anos. A jornalista é apresentadora e repórter da TV ALBA – Assembleia Legislativa da Bahia – onde apresenta programas políticos desde a fundação da emissora. Escreve neste espaço às quartas-feiras; Instagram e TikTok: @fernandadouradoreporter