A despedida de um homem público firme e respeitado, cuja maior herança foi a família e os valores que construiu
Amanhã completam-se sete dias da morte de Alan Sanches. Este é o meu primeiro texto político desde a morte do meu pai, há quase dois meses, de forma repentina. Desde então, escrevi apenas o texto de despedida dele. Meu pai não lerá mais estas linhas — e isso dói. Ainda assim, preciso seguir. E hoje escrevo para homenagear um homem público que sempre me tratou com respeito, gentileza e humanidade: Alan Sanches.
A morte de Alan interrompeu uma trajetória que ainda tinha muito a oferecer à política baiana. Sua partida atravessou o Parlamento em silêncio, desses que não precisam de discursos para serem compreendidos.
Foi no momento mais difícil da minha vida que Alan me abraçou e me consolou. No corredor da Assembleia Legislativa, ele me chamou, se aproximou e me disse algo que jamais esquecerei: que meu pai, com certeza, sentia orgulho de mim. Foi ali que entendi, com mais nitidez, o modo como ele falava dos filhos — porque o orgulho que vi naquele abraço era o mesmo que ele carregava quando falava da família.
Alan chegava sempre antes das entrevistas. Conversava, perguntava da vida, e permanecia depois, falando de família, política e cotidiano. Muitas vezes precisei marcar com ele fora dos dias habituais de gravação, porque Alan sempre fazia questão de me lembrar que ainda atendia como médico, além de cumprir a rotina do Parlamento e as visitas às bases. Não havia pressa nesses encontros. Havia presença.
Ele me concedeu entrevistas na TV ALBA, onde apresento programas políticos desde a fundação da emissora, e também no site Bahia Repórter, do qual sou editora-chefe.
Conheci Alan quando coordenei a comunicação da Câmara Municipal, ainda na gestão de Valdenor Cardoso. Vi de perto um político firme, de posições claras, um opositor que nunca temeu o poder, mas nunca perdeu o respeito. Após a derrota de seu amigo ACM Neto ao governo da Bahia, assumiu a liderança da oposição em um dos momentos mais difíceis, mantendo unidade e equilíbrio. Sua morte representou também um baque profundo para ACM Neto, que perde um aliado leal e um amigo.
Alan Sanches nasceu em Salvador, em 13 de janeiro de 1968. Formou-se em Medicina pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública e atuava como médico ortopedista. Entrou na política em 2005 como vereador e, em 2011, assumiu o primeiro mandato como deputado estadual. Exercia o quarto mandato quando sua trajetória foi interrompida.
Duda Sanches com o pai Alan Sanches
Ao falar de política, Alan era firme. Mas ao falar da família, sua voz mudava. Era ali que ele se revelava por inteiro. Nos bastidores e também durante entrevistas, fazia questão de mencionar os filhos, não como extensão do mandato, mas como razão de tudo. Falava do orgulho que sentia ao vê-los construir seus próprios caminhos, cada um com sua vocação e autonomia.
Duda Sanches, que entrou na política ainda jovem, era citado com admiração. Alan dizia, com serenidade, que o ajudara apenas no primeiro mandato e que depois o filho seguiu sozinho.
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“Ele tem votos que não são meus”, repetia, deixando claro que o reconhecimento vinha do trabalho do próprio Duda.
Em uma entrevista televisiva, quando elogiei a postura política e o trabalho de Duda, Alan sorriu e respondeu com uma frase que dizia tudo sobre o pai que era: “quem beija meu filho, minha boca adoça.”
Falava também de Léo, médico cardiologista, de Vitão, estudante de Medicina, e de Bruna, ainda estudante, sobre quem acreditava que seguiria seus passos na política. E, quando mencionava os netos, o político dava lugar ao avô — a voz mais leve, o sorriso inevitável.
Fico feliz em saber que os filhos e os netos de Alan Sanches terão uma entrevista dedicada à família, porque é ali que está a essência de tudo o que ele construiu.
Segundo informações, Duda Sanches deverá ser candidato a deputado federal, ocupando o espaço que seria do pai. Para quem conhecia Alan, essa decisão tem sentido: ele acreditava profundamente no potencial do filho e sempre fez questão de vê-lo caminhar com independência.
Estou na Assembleia Legislativa da Bahia há mais de 22 anos. Aprendi que os legisladores não são apenas políticos. São pessoas. Muitos se tornam amigos. Por isso, a partida de Alan não é apenas institucional — é pessoal. Estive no velório e no sepultamento e presenciei homenagens silenciosas, gestos de respeito e olhares demorados que diziam mais do que qualquer discurso.
A missa de sétimo dia de Alan Sanches será celebrada na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, às 9h da manhã, na Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador, Bahia. Um momento de oração e memória para a família, os amigos e todos que acreditam que a política pode — e deve — ser exercida com honra, humanidade e responsabilidade.
Alan Sanches parte, mas seus filhos seguem — levando adiante não apenas um sobrenome, mas os valores, os princípios e o exemplo que ele fez questão de viver e ensinar.
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